quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Brinquedos Waldorf

Com a chegada (e a ida!) do Natal, vejo muita gente questionando e refletindo sobre os diversos tipos de presentes que podemos dar a nossos filhos.

Eu comprei para minha filha, “de Natal”, na loja Bazar das Arábias, um boneco de pano, sem expressão alguma, que tem apenas uma cabeça, corpo e braços cujas mãos são apenas uma bolinha. A cabeça é de algodão cru e lã de carneiro. O interior do corpo é preenchido por arroz e ervas como macela, camomila, lavanda e erva-doce. Tem peso aproximado de 1,5 kg, para se assemelhar a um bebê. É um boneco Waldorf e minha filha ama. Ela tem apenas um ano e quatro meses, mas o chama de “nenê”, abraça o boneco, o pega nos braços como se fosse um bebê, finge que está ninando ele e às vezes o põe ao seu lado para dormir e fica dando tapinhas na barriga ou acariciando sua cabeça, como eu sempre faço com ela para dormir. Eu nunca a ensinei a fazer nada disso. Ela imita com o boneco o que eu faço com ela. Simples assim.



Lina e seu bebê.
Melhor de tudo foi meu marido que esses dias viu o boneco jogado pela sala, o pegou e o deitou bonitinho no sofá, dizendo: "não aguento ver esse boneco jogado de qualquer jeito por aí!! dá uma angústia!"


Vi então, nesta data que já passou, uma excelente oportunidade para discorrer sobre um tema que há muito tempo eu gostaria de ter escrito aqui no blog: os brinquedos inspirados na Pedagogia Waldorf.

A Pedagogia Waldorf (PW) tem como princípio primordial para a educação da criança no seu primeiro setênio a atividade lúdica, e, junto aos princípios Waldorf de cultura à imaginação e respeito e integridade à natureza, surgiram os tais “brinquedos Waldorf”, que, confesso, têm muitas particularidades.

São brinquedos que, primeiramente, são constituídos inteiramente por matéria-prima natural, como madeira, lã, algodão, seda, tinturas naturais... enfim, tudo que seja natural, não plástico. Além disso, devem ser brinquedos que estimulem a imaginação, a fantasia e a criatividade – e isso sim quer dizer muita coisa. Por isso, encontramos uma diversidade enorme de brinquedos de madeira, sem pintura e com pouquíssimos detalhes ou acabamento. A ideia é ser o mais simples possível, para que estimule a imaginação da criança.


Casinha desmontável de madeira sem pintura - retirado de www.tinyfootprinttoys.com.



Árvores de madeira e gnomo de madeira com roupa de feltro - retirado de etsy.com





Animais de feltro - retirado de etsy.com



Mas o que há de mais famoso e característico são os bonecos Waldorf. Claro que a PW não faz distinção de brinquedos de menina ou de menino, portanto tais bonecos são também para meninos. Tratam-se de bonecos feitos de lã, algodão ou seda (ou outro material natural, não sintético), geralmente preenchidos com lã, arroz, ervas perfumadas, e por aí vai. Mas o que é mais característico destes bonecos é a simplicidade dos mesmos, já que muitas vezes não passam de uma cabeça com corpo e braços, sendo a cabeça ornada apenas com dois pontos sendo os olhos e uma boca sem expressão de alegria ou tristeza.





Boneco Waldorf de pano, super simples (quem sabe não fazemos em casa mesmo) - naturalkidsteam.com





Bonecos Waldorf de pano, tradicionais - bellalunatoys.com

Família de Bonecos Waldorf de madeira, sem expressão - retirado de etsy.com



Uma das primeiras coisas que aprendi sobre a PW foi sobre como os brinquedos modernos destruíam a imaginação e criatividade da criança. Eu nunca tinha parado para pensar desse ponto de vista, e se não fosse a PW talvez eu nunca pensasse sobre isso. Acontece que hoje eu concordo plenamente. Comprar um brinquedo com detalhes perfeitos, inteiramente pronto, mecanizado, que anda, fala ou está sempre sorrindo não dá espaço para a criança utilizar a imaginação. Com um carrinho de madeira "crua'', por exemplo, que é apenas um bloco com duas rodas, a criança pode imaginar que é uma Ferrari, um Fusca, um caminhão ou qualquer outra coisa, da cor que quiser, que ela pegará com as mãos e terá que imaginar seu movimento e seu som, o que faz a criança participar ativamente, tanto de corpo como de alma, da brincadeira. Agora se você comprar um carrinho desses lindos, coloridos, com portas e janelas que abrem, que andam e emitem sons, como a criança poderá imaginar algo, se já está tudo pronto?

Carrinho de madeira Waldorf - retirado de pinterest.com



O mesmo com o boneco Waldorf. Se você comprar uma Barbie (sem contar o grande apelo sensual da boneca), já com olhos azuis, sorriso no rosto, mãos com todos os dedos sempre na mesma posição, entende como isso prejudica a imaginação da criança? Como deve ser difícil para ela imaginar a Barbie triste sendo que ela está sempre sorrindo?

Rudolf Steiner, criador da Pedagogia Waldorf, vai ainda mais a fundo, analisando a capacidade anímico-espiritual da criança, quando compara os bonecos Waldorf e as bonecas “prontas”, em seu livro “Andar, Falar, Pensar”, cujo trecho transcrevo aqui:

 “Com isto eu quis apenas indicar como a criança tem a seu dispor uma força plástica interior maravilhosa, e como trabalha continuamente em seu íntimo como um escultor. E se lhe dermos a boneca de pano, penetrarão suavemente no cérebro as forças plasmadoras do organismo — principalmente aquelas que, a partir do sistema rítmico, da respiração e da circulação sangüínea, moldam o órgão cerebral. Elas plasmam o cérebro infantil da mesma maneira como trabalha um escultor que elabora a escultura com mão firme, flexível, compenetrada de espírito e alma: tudo ocorre em caráter formativo, em evolução orgânica. A criança observa esse pedaço de pano transformado em boneca, e isto se torna força plasmadora humana, força verdadeira que, a partir do sistema rítmico, intervém no sistema cerebral.

Quando damos à criança uma das chamadas lindas bonecas — a boneca articulada, que pode mover os olhos, de faces tingidas e belos cabelos — entregando-lhe esse horrível fantasma do ponto de vista artístico, forças plásticas que modelam o sistema cerebral atuam do sistema rítmico, partindo da respiração e do sistema sangüíneo como chicotadas: tudo o que a criança ainda não pode compreender açoita o cérebro. Este é terrivelmente golpeado e flagelado.”



Ainda, nosso querido Valdemar Sezter, professor Titular do IME (USP) e pesquisador da Pedagogia Waldorf, escreve o seguinte sobre a vantagem da textura natural dos bonecos Waldorf:

 “Uma boneca de pano, especialmente de tecido natural, permite que a criança encoste-a em seu rosto, abrace-a, faça carinho nela etc. Experimentem fazer isso com uma boneca de plástico, ainda mais em miniatura como uma Barbie; a textura do plástico é uniforme, lisa, em geral dura; isso significa não incentivar o desenvolvimento do sentido do tato. Além disso, significa que a criança não consegue relacionar-se com as bonecas de plástico como com as de pano, que devem ser relativamente macias, permitindo até que a criança apoie sua cabecinha nelas e talvez queira dormir com elas junto de seu rosto. Alguém acha agradável dormir com um pedaço de plástico duro junto ao rosto?” (texto completo na página pessoal do professor: http://www.ime.usp.br/~vwsetzer/barbieridade.html)



E para crianças maiorzinhas, tudo o que estimule a contação de histórias e a fantasia de contos de fadas, também são considerados brinquedos Waldorf. Brincadeiras de imitação de afazeres domésticos também são legais, já que as crianças adoram imitar os adultos e um dos princípios da PW é a desenvolver o senso de colaboração, o que inclui cooperar desde pequenos nestas atividades.


Estímulo à fantasia com tecidos simples - retirado de pinterest.com

Tecido, coroa de papel e Contos de fadas - retirado de themagiconions.com

Imitação de afazeres domésticos - retirado de inhabitots.com


Por fim, ressalto a importância dos brinquedos que aparentemente não são brinquedos, como pedras, areia, folhas, tocos de madeira, atividades com terra e água e tudo o que estiver disponível na natureza. Com esses materiais é possível criar uma infinidade de brincadeiras e imaginar muito!







E para quem se interessou, abaixo segue uma lista de apenas algumas lojas virtuais brasileiras que vendem brinquedos Waldorf.

Oficina criadora Waldorf - Brinquedos de madeira “crua” totalmente inspirados na pedagogia Waldorf, lindos de morrer!

Brinquedos Waldorf - Tem de tudo! Uma delícia de loja!! Bonecas de pano, brinquedos de madeira, material para artes, livros, cds...

Waldorf OnLine - Loja com diversos artigos Waldorf, incluindo material para artes  como giz de cera de abelha, massa de modelar, aquarela, etc.

Bazar das Arábias - Loja de uma mamãe muito querida, com uma infinidade de brinquedos Waldorf, Montessori, educativos, livros, cds e muito mais!

Goo Goo Baby - Site com produtos para bebê em geral, mas que possui brinquedos educativos de madeira e alguns brinquedos Waldorf.

João Pé de Feijão - Site fantástico, com ênfase em contos de fadas, com brinquedos variados como bonecos de crochê, brinquedos de seda, kits de feltragem tipo faça você mesmo dentre outros.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Quando nascer passa de Acontecimento a Evento - Sobre as festas na maternidade

Aproveitando a deixa da Gabi Sallit em seu último post no blog Dadadá, que achei um dos melhores posts que li ultimamente, porque nos faz aceitar que julgar é normal e quem sabe até saudável, começo a patir de agora a julgar - talvez de modo um pouco ácido - uma atitude que me fez pensar muito: as festas no dia do nascimento, ainda na maternidade:
 
 
Foto retirada do site da iG
 
 
Estava eu passeando por alguns sites de maternidade que acompanho sempre quando vi, bem no cantinho, um anúncio para festas na maternidade. Fantástico! Agora em complementação ao CineParto, surgiram as animadíssimas festas no quarto do recém-nascido!! Olha que legal:
 
 
 
 
 
 
Como diz na terceira matéria, é a nova tendência do mercado. Uau! Claro, mercado cujo público alvo são somente as gestantes que optaram por cesarea eletiva com certa antecedência. Já comentei aqui qual a minha opinião sobre as cesareas eletivas, mas, resumindo, eu entendo quem opta por essa opção, mas acho cruel com o bebê.
 
O mercado voltado para gestantes e mães recentes já é bem cruel. Mais triste ainda é perceber que está surgindo no Brasil (e também em outros países) um sólido mercado baseado unicamente no suposto "conforto" que a cesarea eletiva traz para a mulher (sim, para a mulher, e não para o bebê). Apenas na matéria da Uol é que lembrar de citar que ainda existe o parto normal minha gente!!! Pasmem, há esta pequena citação lá:
 
 
"As encomendas devem ser feitas com um prazo de, no mínimo, 30 dias. No caso de cesariana marcada, é só agendar com a mãe a data e preparar o quarto. Quando é parto normal, sugiro que a mamãe escolha produtos mais duráveis, como chocolates, balas e confeitos, pois podem ser produzidos e aguardar a chegada do bebê".
 
 
Bem, pelo menos lembraram que algumas mulheres das cavernas ainda optam pelo parto normal. Mas convenhamos, preparar uma festa e ficar um ou dois meses (ou mais!) esperando o bebê nascer... aí não dá... vamos agendar logo essa cesarea pra podermos comemorar né?? Se não os docinhos estragam...
 
É triste... colocamos o parto na esteira de uma linha de produção (cesareas todas iguais) e para compensar "personalizamos" as festas no primeiro dia após o nascimento, para podermos sentir que somos todos diferentes.
 
Mas ainda bem que na matéria do iG, cujo título é "Decoração personalizada, serviço de buffet e até garçons: vale tudo para celebrar a criança desde suas primeiras horas de vida – mas com bom senso e consentimento do hospital", também fizeram o favor de lembrar os leitores que na "festa" devem entrar 5 participantes por vez (será que o garçom entra nesta conta?), para evitar risco à saúde do recém-nascido. Ufa!
 
Aliás, o bom senso citado no título desta matéria não é muito o que se vê por aí... afinal, hospitais já chegaram a vetar pedidos "extravagantes" como instalação de chopeira no quarto. (wtf????) Ah, mas um chapanhezinho pra celebrar pode tá??
 
Outras recomendações pertinentes para a celebração que achei ótimas são:
 
 
"O momento é mesmo propício a comemorações, desde que respeitados certos cuidados. É preciso ter em mente que o parto é um procedimento cirúrgico e, sendo assim, requer atenção especial, sob o risco de prejudicar o pleno restabelecimento de mãe e bebê."
 
“Acima de tudo, é um hospital. A pessoa no quarto ao lado pode estar em repouso ou não estar no mesmo clima de comemoração, por ter sofrido um abortamento, por exemplo. Não tem problema fazer uma festinha, desde que respeite o espaço do outro” (recomendação do Diretor da Maternidade Perinatal Barra, no Rio de Janeiro)
 
 
Opa, pérai!!!! Parto é um procedimento cirúrgico??? Ah, é! Esqueci que as festas são só para as que optam por cesarea eletiva. O resto das recomendações não vou nem comentar...
 
 
E ainda, minha gente, por fim, como organizar um parto com uma festa linda sem a mamãe pensar no seu visual não mesmo??
 
 
"Como é praxe nessas ocasiões, a dona da festa quer sempre se exibir impecável na hora de receber os convidados. É um desafio estético, especialmente quando se trata de mulheres recém-saídas da sala de cirurgia, e mais uma incumbência para Fulana, que se dispõe a levar também maquiador e cabeleireiro."
 
 
Pois é. Viva o consumismo. Viva a ostentação. Vamos mostrar aos nossos bebês que o importante mesmo no primeiro dia de vida é gastar bastante dinheiro para recebê-los "bem" nesse mundo. Vamos provar às nossas famílias que temos dinheiro suficiente para "cuidar" bem dos nossos filhos. Vamos mostrar que o que interessa é mãe maquiada e de cabelo feito desde as primeiras horas do pós-parto.
 
Afinal, resguardo, tranquilidade, introspecção, cumplicidade com o bebê, início da amamentação e todo o (grande) mais que vem com a chegada de um bebê... que importa não é mesmo?
 
Bom mesmo é ter uma grande festa no dia do nascimento!!!


Só pra lembrar :)
(desculpem a resolução. Fonte: Movimento Infância livre de consumismo)


sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Plano de Parto Comentado

Estive revendo meu Relato de Parto e notei que não criei nenhum link para o tão importante Plano de Parto que eu escrevi durante a gestação.

Resolvi então publicar aqui meu Plano de Parto, aproveitando ainda para fazer comentários sobre o que eu planejei e o que realmente aconteceu no parto da Lina.

Para escrever meu plano de parto me apoiei em vários modelos que vi na internet. Fui pegando uma ideia de cada mãe e adaptando às nossas vontades. Um dos planos que usei como modelo foi o da Gabi Sallit, para o parto do João.

E para quem não sabe, o Plano de Parto é uma recomendação da OMS há mais de décadas, mas infelizmente ainda é pouquíssimo difundido no Brasil.

Espero que gostem!



PLANO DE PARTO – Katherine

Bebê: Lina

Marido: Anderson

Obstetra: Dra Quesia Villamil

Doula: Isabel

Data provável do parto (DPP): 24/09/13 O parto aconteceu no dia 10/09/2013.

 

"Estamos cientes de que o parto pode tomar diferentes rumos. Abaixo listamos nossas preferências em relação ao parto, caso tudo transcorra bem. Gostaríamos de ser consultados antes de qualquer intervenção/procedimento de rotina/alternativas que se fizerem necessários.” Fomos consultados sobre absolutamente todos os procedimentos.

 

Trabalho de parto:

- Desejo ser deslocada ao hospital o mais tardar possível, tentando permanecer o maior tempo possível do início do trabalho de parto em ambiente domiciliar, caso não haja indicação inversa do obstetra ou doula. Pretendo me internar na fase ativa, ou seja, com pelo menos 5 cm de dilatação e 3 contrações em 10 minutos. Não foi o caso pois estava com bolsa rota e não tinha onde me hospedar em Belo Horizonte. Por um despreparo meu acabei internando precocemente.

- Quero a presença de meu marido e/ou doula em tempo integral. Desejo atendido!

- Desejo um ambiente calmo, tranquilo, agradável, com iluminação adequada, aromas e música, para que eu possa relaxar o máximo possível. Desejo plenamente atendido!

- Desejo o menor número possível de pessoas no ambiente, evitando agitação. Desejo atendido! Família mora longe e só ficaram na sala eu, meu marido, doula e de vez em quando aparecia a obstetra.

- Desejo ser questionada o mínimo possível e de ser respeitada caso eu não queira conversar e responder durante as contrações, evitando que conversas tirem minha concentração. Foi tudo perfeito!

- Quero uso ilimitado da banheira e/ou chuveiro para alívio da dor e relaxamento. Desejo atendido!

- Quero ter liberdade para beber água, sucos e me alimentar. Bebi muito na fase latente!

- Quero liberdade para caminhar e escolher a posição que quero ficar (não quero ficar presa no cardiotoco para não limitar minhas posições). Mudei de posição diversas vezes, conforme minha vontade!

- Não quero ter meu trabalho de parto acelerado desde que eu e meu bebê estejamos bem. Meu parto foi acelerado, infelizmente. Como dito anteriormente, por escolhaminha internei precocemente, o que me fez tomar ocitocina sintética por 20 minutos, coisa do qual me arrependo profundamente.
- Desejo que o exame de toque fosse realizado o mínimo possível, caso eu me sinta incomodada. Durante o tempo em que estive no hospital foi realizado um exame de toque. Talvez hoje eu não aceitasse novamente.

- Não pretendo usar analgesia. Se eu precisar, pedirei e neste caso, se possível, iniciar com baixa dosagem e aumentar conforme necessidade. Pedi anestesia quando estava próximo do expulsivo, mas me convenceram a não tomar. Ainda bem!!

- Não quero ruptura artificial da bolsa, por mera rotina, sem meu consentimento. Bolsa rompeu um dia antes do nascimento, antes do início das contrações, o que me levou a uma internação precoce e consequentemente tomei ocitocina sintética.

- Não quero tricotomia (raspagem dos pelos pubianos) e enema (lavagem intestinal). Não queria e não fiz.

- Não quero que mantenham acesso a minha veia de rotina (assim como perfusão contínua de soro e ou ocitocina sem meu consentimento). Foi colocado acesso apenas quando necessário. Tomei ocitocina por minutos, e depois desligaram os tubos, o que me deixou livre para escolher as melhores posições.

- Se a posição da criança ou da placenta for desfavorável ao parto normal quero aguardar pelo trabalho de parto ou, na impossibilidade, pelo menos os pródromos. Não foi o caso.

- Quero que tirem fotos de todo o trabalho de parto e pós-parto, sem restrições, a não ser que eu me sinta incomodada. Não tiraram muitas fotos, mas as poucos ficaram ótimas!.

 

Expulsivo:

- Decidirei na hora, com orientação da doula e obstetra, qual será o local e a posição mais confortáveis para o expulsivo. Fique totalmente livre para escolher minha posição tanto no TP quanto no expulsivo.
 
- Prefiro fazer força só durante as contrações, quando eu sentir vontade, em vez de ser guiada, a não ser que eu solicite orientação. Não fui guiada e fiz força somente quando eu quis.

- Desejo que meu bebê nasça em  ambiente calmo e silencioso (pouca iluminação e ar condicionado desligado na hora do nascimento). Foi exatamente assim!

- Desejo ter um espelho para ver a saída do bebê e que me orientassem a tocar a cabeça do bebê em algum momento do expulsivo. Tive um espelho em alguns momentos do expulsivo, toquei a cabeça da Lina, e como estava de cócoras, a vi no momento em que saía de mim. Sensação e imagem indescritíveis que carregarei para o resto da vida.

- Desejo que meu períneo seja amparado, a fim de evitar laceração (pode usar massagem perineal, compressas mornas e posicionamento primeiro). Não precisou ser amparado, não precisou de massagem e não tive laceração!

- Não quero episiotomia – a menos que seja absolutamente necessário; neste caso, me consultar antes do procedimento (prefiro o risco de laceração do que episiotomia).  Não precisei de episio e zero laceração!

- Não quero que puxem o bebê, deixem que venha no tempo dele, apenas amparando-o (o pai deseja amapar, se possível). Não puxaram minha bebê, mas a obstetra que amparou. No momento da saída eu estava no banquinho de parto e meu marido me apoiando por trás, o que não permitiu que ele amparasse a Lina!

- Não quero manobras para a saída do bebê – a menos que seja estritamente necessário. Não precisou.

- Não quero luz forte no rosto do bebê no momento em que ele sair. Houve apenas uma lanterninha fraca para exames após o nascimento.

- Quero ter meu bebê colocado imediatamente no meu colo após o parto com liberdade para amamentar a hora que eu quiser. Lina veio imediatamente para o meu colo, mas como eu quis deitar porque estava dolorida, demorei mais ou menos 30 minutos até colocá-la para mamar.

- Eu ou o pai gostaríamos de secar o bebê após o nascimento. Caso não seja possível, secar com suavidade, sem esfregar. Logo após o nascimento Lina veio ao meu colo e nós mesmos a secamos.

- Quero que o cordão seja cortado apenas quando parar de pulsar – de preferência pelo pai. Papai cortou após parar de pulsar (uns 6 minutos após o nascimento)

- Prefiro fórceps ou vácuo, a uma cesárea. Não precisou.

 

Após o parto:

- Prefiro aguardar expulsão espontânea da placenta com auxílio da amamentação. Desejo ser consultada antes de qualquer intervenção necessária (massagem, tração ou infusão intravenosa de ocitocina). Houve uma massagem pois eu reclamava muito de dor. Após a massagem a placenta saiu e as médicas puderam me examinar.

- Quero que me mostrem a placenta após sua saída. Não vi a placenta após a saída. Estava fora de mim e só queria saber da bebê. Mas a vi depois, quando a plantamos.

- Quero o bebê comigo o tempo todo, mesmo para avaliação e exames. Foi levada por 10 minutos para exames, com o pai e a pediatra. Isso eu poderia ter feito diferente...

 - Não quero que seja feita sucção das vias respiratórias caso o bebê esteja bem. Se for necessária, fazer a sucção enquanto o bebê estiver comigo. Lina estava com um pouquinho de agua no nariz após nascer, então permiti que a pediatra aspirasse com a perinha, mas ela mal encostou a pontinha da pera no narizinho dela para aspirar.  Foi tudo muito delicado.

- Quero manter meu filho no colo o tempo que eu quiser após o nascimento. Pedido realizado. Não desgrudei dela um minuto.

- Não quero que seja administrado nitrato de prata nos olhos do bebê. Desejo respeitadíssimo.

- Quero administração de vitamina K oral (nos comprometemos continuar com as doses). Caso não seja possível, dar a injeção com a bebe mamando no meu colo) Tomou injeção de vitamina K com o papai, e nem chorou. Apesar de isto estar no meu plano de parto, após conversar com a pediatra decidi dar a injeção.

- Não oferecer água glicosada, fórmulas ou bicos. Desejo respeitado.

- Queremos alojamento conjunto o tempo todo. Caso seja necessária a separação o pai deverá acompanhá-lo o tempo inteiro. Desejo respeitado.

- Desejo que a avaliação pediátrica seja feita no quarto e na presença de um dos pais. Desejo respeitado.

- Não quero que seja realizada limpeza com óleo mineral ou que dêem banho no bebê. Desejo respeitado. Lina tomou banho apenas no dia seguinte (mais de 24 horas depois do nascimento).

- Caso seja necessário algum procedimento de urgência me avisar dos detalhes e porque está sendo feito. Não precisou.

 

Caso a cesárea seja necessária: Não precisei graças a Deus!

- Desejo a presença de meu marido e da doula.

- Anestesia peridural se possível, sem sedação.

- Não quero minhas mãos presas. Caso não seja possível quero que me soltem para que eu possa segurar meu bebê quando nascer.

- Quero que as luzes e ruídos fossem reduzidos e o ar condicionado desligado.

- Quero ser consultada se desejo remover o campo para ver o bebê nascer.

- Após o nascimento quero que coloquem o bebê sobre meu peito imediatamente, sem separação.

- Desejo poder amamentar já na sala de cirurgia.

- Desejo permanecer com o bebe no contato pele a pele enquanto estiver na sala de cirurgia sendo costurada.

- Alojamento conjunto o quanto antes.



Observações:- Se eu não tiver condições de decidir sobre alguma intervenção meu marido está apto a decidir por nós.

 

 

 



quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Declaração da OMS e O caso da Violência Obstétrica no Brasil e no Mundo




“No mundo inteiro, muitas mulheres sofrem abusos, desrespeito e maus-tratos durante o parto nas instituições de saúde. Tal tratamento não apenas viola os direitos das mulheres ao cuidado respeitoso, mas também ameaça o direito à vida, à saúde, à integridade física e à não-discriminação. Esta declaração convoca maior ação, diálogo, pesquisa e mobilização sobre este importante tema de saúde pública e direitos humanos.”
Organização Mundial da Saúde

 
Como já disse neste blog, mais especificamente neste post aqui, entendo perfeitamente as mulheres do Brasil que têm por preferência, ás vezes desde o início da gestação, a cesárea eletiva.

Relaciono esta pavorosa onda de cesárea eletiva que ocorre no Brasil, principalmente nos hospitais particulares, não só à comodidade dos médicos ou à questões financeiras, mas também ao fato da Violência Obstétrica.

Lembro, desde criança, de ouvir histórias horríveis sobre parto normal. E ainda escuto. É mãe que fica amarrada na cama, pai que não pode acompanhar a gestante durante o trabalho de parto, corte indiscriminado na região genital, proibição de se alimentar, movimentar ou de escolher a melhor posição para o expulsivo, além de ouvir coisas como “na hora de fazer você não gritou né?” ou “pare de gritar se não teu bebê vai nascer surdo”.

Tudo isso é muito mais normal de acontecer do que a gente imagina. Lembro de uma amiga de minha mãe que estava contando sobre o parto normal de sua filha e ela dizia: “Não podemos nem chamar de parto normal. Aquilo é parto “anormal”, isso sim!!”

Pois é. É por isso mesmo que muitas mulheres escolhem a cesárea sem nem pestanejar. Toda essa violência em relação ao parto normal que foi criada ao longo do tempo no Brasil causou essa preferência pela cesárea. Ela é prática e quase indolor, na maioria dos casos. Mas ela não é tão saudável quanto o parto normal, infelizmente. Sabemos que a OMS recomenda um máximo de 15% de cesáreas, que seriam as cesáreas que realmente necessárias, as que realmente salvam vidas. Hoje, no Brasil, existem hospitais com praticamente 100% de cesáreas. Claro, a maior parte, cesáreas eletivas. E eletivas por que? Porque as mães criaram consciente ou subconscientemente um medo gigantesco do tal parto “anormal”.

Sim, o parto normal hoje no Brasil, aquele convencional, cheio de intervenções desnecessárias, é horroroso. É uma Violência Obstétrica por si só.

E é por isso que a OMS vêm novamente em auxílio à saúde coletiva e lança um documento maravilhoso que você pode acessar abaixo.



 

 
 #VOBR2014

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

As primeiras quatro estações completas!



Hoje nossa pequena faz 1 ano de idade. Comemoramos, claro, o seu nascimento, mas comemoramos também o meu renascimento como mulher e o nascimento da nossa família.
Há um ano atrás, eu estava sentindo as dolorosas contrações que trariam minha filha para o mundo. Temos que comemorar. Nós conseguimos!
Conseguimos recepcionar a Lina nesta Terra da maneira que julgamos a mais respeitosa possível. Há um ano a Lina nascia em um quarto escuro, silencioso, através de parto normal, através das minhas forças naturais, apoiadas pelo grande amor do pai dela, e ao canto dos passarinhos ao amanhecer.
Há exatamente um ano sentíamos a energia mais maravilhosa que existe no mundo: o nascimento. E foi realmente incrível! Lina foi imediatamente colocada em meus braços e pudemos olhá-la tranquila, abrindo os olhos sem chorar.
E neste um ano que passou, dentre todas as dificuldades da maternidade/paternidade, tenho que dizer: foi o ano mais incrível de nossas vida! Cada segundo olhando seu rostinho, cada momento de descobertas, de desenvolvimento, de beijos e abraços. Foi tudo perfeito demais!
Para mim, foi um ano lendo e estudando muito e tomando difíceis decisões sobre diversos assuntos relacionados à maternidade. Decidimos usar fraldas de pano, não dar qualquer tipo de alimento industrializado, não dar açúcar, não pôr para assistir TV. Decidimos que ela dormiria em nossa cama.
Temos que comemorar. Todas nossas escolhas conscientes têm dado certo.
Em um ano, Lina aprendeu a ficar de pé, já dá uns passinhos e até dança um rebolado. Já tomou banho de mar e de cachoeira e até pegou carrapato. Ela dá muita risada, ganhou dois dentes, e já finge que fala algumas palavras. Lina come de tudo e já manda ver no arroz e feijão – sempre com algum legume e verdura. Adora fruta. Adora cachorro. Adora passarinho. Adora livro. E nem liga pra televisão.
É, temos que comemorar.
Lina, que Deus abençoe todos os seus próximos anos de vida, assim como abençoou este seu primeiro ano.
Parabéns filha!

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Andar, Falar, Pensar - O Andar


Uma das primeiras coisas que aprendi em relação à pedagogia Waldorf foi esse trinômio andar-falar-pensar. Foi a pediatra da Lina, em uma de suas primeiras consultas, que indicou diversos livros sobre antroposofia e Waldorf, e um deles era este aqui, do Rudolf Steiner.

Ainda não li o livro, mas sei que segundo a antroposofia, são essas habilidades que o ser humano adquire nos três primeiros anos de vida, o que torna esse período tão importante e especial no desenvolvimento da criança.

Resolvi falar sobre este assunto pois a Lina, minha filha de 11 meses, já está começando a tomar coragem para dar seus primeiros passinhos e tenho observado admirada o seu desenvolvimento.

O andar da criança se relaciona com a descoberta do meio ambiente que a cerca, e trata-se de um processo que é desenvolvido durante todo o primeiro ano do bebê, a fim de que no fim do processo ele por fim entenda é um “peça” pertencente à esse mundão de Deus, e que, agora, ela pode explorá-lo sozinha, tendo liberdade de movimentação.

É possível observar que todo desenvolvimento da criança parte da cabeça em direção aos pés, e no que se refere ao movimento, percebemos que os bebês iniciam seu desenvolvimento motor dessa maneira: primeiro adquirindo firmeza e controle da cabeça, seguido pela descoberta das mãos, aprendendo a sentar, ficando em pé com apoio, engatinhar e depois dando alguns passos com apoio, sendo que, por fim, adquirem o equilíbrio total e aprendem a andar.

Claro que não existe o que é melhor nem pior, sendo que esta ordem acima em alguns casos é invertida ou até inexistente. Existem crianças que andam direto, sem engatinhar, e outras que aprendem a andar aos 10 meses e outras com um ano e meio. Sem neuras, cada bebê se desenvolve da sua maneira, cabendo a nós apenas observar e proteger, sem limitar ou forçar seu desenvolvimento.

Pretendo ler mais sobre o assunto, assim que eu adquirir o livro indicado pela pediatra da minha filha, e voltar aqui para escrever mais sobre o assunto. Mas a princípio, o que a antroposofia nos orienta é a não forçar, por quaisquer métodos que seja, já que o ser humano já nasce com suas forças interiores que orientará a criança natural e instintivamente a aprender a se erguer, adquirir equilíbrio e finalmente andar.

E mesmo antes de saber dessas coisas, que estudei recentemente, confesso que eu segui meus instintos, e, como faço com tudo relacionado à Lina, deixei-a solta e livre para aprender a se movimentar. Sou totalmente contra andadores ou qualquer tipo de “aparelhos” para “auxiliar” o processo de aprender a andar. Acho que tudo atrapalha, ao invés de ajudar.

Andador, nem preciso falar não é? Foi proibido recentemente, inclusive, mas acho que mais por questões de segurança do que de ergonomia mesmo. Mas já pensou que a criança tem que aprender a andar no andador, onde o equilíbrio e a posição é de uma maneira, e depois tem que aprender a andar de novo, sem ajuda de equipamentos? Mas é incrível como ainda encontramos aparatos curiosos para fazermos nossos filhos aprenderem a andar mais rápido ou para ajudar a apoiá-los:

 
Equipamento para ajudar o bebê a andar
Mais um Equipamento para ajudar o bebê a andar - pior ainda


Para os pais mais afobados, tendo a dizer: bebês nessa idade já adoram imitar tudo o que fazemos (e assim continuar por alguns anos) então não se preocupem que de tanto ver os adultos andarem, as crianças naturalmente já têm uma força de vontade enorme de andar como nós!
Acho que a natureza é perfeita e sábia demais para termos essa necessidade de usar equipamentos que tentam ajudar ou acelerar processos naturais e instintivos.

O que eu faço é apenas segurar na mãozinha da minha filha, e tento deixa-la apoiada em lugares firmes, como sofá e cama, com suas próprias mãozinhas, sempre que possível. Assim, imagino eu que esteja oferecendo proteção e ao mesmo tempo deixando-a livre para ganhar confiança, conhecer as capacidades e limitações de seu próprio corpo e também para explorar e aprimorar sua coordenação motora.

Que a Lina dê seus primeiros passinhos a seu tempo!

 

“Quando começamos, como educadores, a introduzir coação, por mínima que seja, naquilo que a natureza humana individual quer, quando não compreendemos ser necessário deixá-la livre e sermos apenas os guias auxiliares, prejudicamos então a organização humana para toda a vida terrena.”

Rudolf Steiner